Denominações de Origem

No contexto internacional, a produção de aguardente vínica encontra expressão em diversos países, como o Chile (http://piscochile.com/pisco/) e o Perú (https://museodelpisco.org/), que repartem a Denominação de Origem (D.O.) Pisco. Contudo, é nos países tradicionalmente vitivinícolas, localizados na Europa, que se encontram as principais Denominações de Origem desta bebida espirituosa.

 

diagrama3.jpgDe entre eles, importa destacar França e as suas Denominações de Origem Armagnac e Cognac, que produzem as aguardentes vínicas, com os nomes correspondentes, mais prestigiadas e mais vendidas a nível mundial.

Qualquer uma destas regiões apresenta  organização e características específicas.

Armagnac (http://www.armagnac.fr/discover) é regulada pelo Bureau National Interprofissionnel de l’Armagnac, que integra produtores individuais e cooperativas, destiladores e negociantes. A região contempla três sub-regiões, em função da qualidade da aguardente vínica produzida: Bas Armagnac, Armagnac-Tenarreze e Haute Armagnac.

A área de vinha é atualmente de 15 000 hectares, sendo as castas mais representativas a ‘Ugni Blanc’ (‘Tália’ em Portugal), a ‘Colombard’, a ‘Folle Blanche’ e a ‘Baco’ (híbrido das castas ‘Folle Blanche’ e ‘Noah’). A aguardente é obtida por destilação contínua, em coluna de destilação, e envelhecida em barricas de madeira de carvalho.

Cognac (http://www.bnic.fr/cognac/_cn/2_cognac/index.aspx) é regulada pelo Bureau National Interprofessionnel du Cognac, composto por produtores e por empresas. Com base nas características do solo descritas pelo geólogo Henri Coquand em 1860, foram delimitadas seis sub-regiões (“Crus”) que, do centro para a periferia da região, originam aguardente vínica de qualidade sucessivamente menor: Grande Champagne; Petite Champagne; Borderies; Fins Bois; Bons Bois; Bois Ordinaires.

A área de vinha é atualmente de 79 636 hectares, sendo também a ‘Ugni Blanc’, a ‘Colombard’ e a ‘Folle Blanche’ as castas mais importantes. A aguardente é obtida por destilação descontínua, em alambique “Charentais”, e envelhecida em barricas de madeira de carvalho.

Em Portugal existem seis Denominações de Origem de aguardente vínica: Bairrada; Vinhos Verdes; Tejo; Lourinhã; Douro; Alentejo (https://www.ivv.gov.pt/np4/528).

diagrama4BNeste cenário, destaca-se a Denominação de Origem Lourinhã, cujas referências históricas remontam ao início do século XX. A demarcação desta região, em 1992, foi fruto do trabalho desenvolvido desde a década de 70 do século XX por diversas entidades, designadamente a Estação Vitivinícola Nacional (atual INIAV – Pólo de Dois Portos), a Câmara Municipal da Lourinhã e a Adega Cooperativa da Lourinhã.

Embora possua apenas cerca de 40 hectares de vinha, a Lourinhã constitui uma Denominação de Origem exclusiva para aguardente vínica (significa que outros produtos vitivinícolas aí produzidos não têm direito a D.O.), graças a condições específicas de solo e de clima, o que a coloca no patamar das afamadas regiões francesas de Armagnac e de Cognac. De acordo com o nosso conhecimento, não existem no mundo outras regiões com esta particularidade.

As castas recomendadas são: ‘Alicante Branco’, ‘Alvadurão’, ‘Boal Espinho’, Marquinhas’, ‘Malvasia Rei’ (‘Seminário’) e ‘Tália’ (brancas); ‘Cabinda’ (tinta). As castas autorizadas são: ‘Cercial’, ‘Fernão Pires’, ‘Rabo de Ovelha’, ‘Síria’ (‘Roupeiro’), ‘Seara Nova’ e ‘Vital’ (brancas); ‘Carignan’, ‘Castelão’ e ‘Tinta Miúda’ (tintas)[*]. A aguardente é obtida por destilação contínua, em coluna de destilação, e envelhecida em barricas de madeira de carvalho.

Atualmente, nesta Denominação de Origem existem somente dois agentes económicos a comercializar aguardente vínica certificada: a Adega Cooperativa da Lourinhã (https://doc-lourinha.pt/) e a Quinta do Rol (https://quintadorol.com).

 

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[*] Decreto-Lei nº 323/94, de 29 de dezembro

 

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