1.º EVENTO FINAL +BDMIRA

1Evento final

Sob o tema ‘Produção sustentável de batata-doce no Ribatejo e Oeste’, decorreu a 18/05/2022, o 1.º Evento Final do Grupo Operacional ‘+BDMIRAl’, em Santarém, na Escola Superior Agrária (ESAS).

O programa constou de uma primeira sessão sobre ‘Boas práticas de produção’, onde foram apresentados os principais resultados do projeto, relativos aos temas ‘Viveiros e material vegetativo’, ‘Boas práticas de Fertilização’, ‘Boas práticas de proteção da cultura - vírus’ e ‘Boas práticas na gestão de infestantes’. A segunda sessão foi uma Mesa redonda sobre a cultura da ‘Batata-doce no Ribatejo e Oeste’, com a presença de vários agentes da fileira.

Foram ainda apresentados o vídeo intitulado ‘Boas práticas para a sustentabilidade da cultura da batata-doce’ e 11 Podcasts também sobre ‘Boas práticas agrícolas’. O livro ‘Batata-doce – Manual de boas práticas agrícolas’ foi igualmente divulgado neste evento.

Os resultados alcançados com o projeto, mostram que a utilização de material de propagação vegetativa certificado, isento de vírus e de outras doenças, pode duplicar a produtividade da batata-doce, tendo sido muito acentuada a necessidade de se evitarem viveiros mais artesanais, onde o material vegetal contaminado será mais frequente e com fortes probabilidades de uma maior disseminação pelos campos de cultura.

Entre os fatores que intervêm na produção, a fertilização e a nutrição das plantas são dos mais importantes. A análise de terra e de plantas são instrumentos fundamentais na avaliação da fertilidade do solo, do estado nutricional das plantas e um contributo importante na racionalização da fertilização. Contudo, muitos produtores aplicam empiricamente os fertilizantes, comprometendo a produção e contribuindo, por vezes, para a poluição dos recursos naturais e para o aumento dos custos de produção. Assim, a fertilização racional da cultura deve ser tomada em atenção e com os resultados já obtidos com este projeto, nomeadamente teores de exportação de nutrientes pela cultura da batata-doce, será possível orientar uma fertilização mais equilibrada e adequada a cada situação.

O ataque de vírus é a principal causa das quebras de produtividade que se verifica nesta cultura, tendo já sido detetados cerca de oito vírus em Portugal, sendo os mais disseminados o vírus do marmoreado fugaz da batata-doce e o vírus 2 da batata-doce e o mais pernicioso o vírus da atrofia clorótica da batata-doce. O controlo de vetores de vírus, como os afídeos e as moscas-brancas, assim como a remoção de infestantes, são essenciais para reduzir a incidência de viroses. A utilização de material de propagação vegetativa certificado e o controlo da ocorrência dos vetores, nos campos de produção e nas suas bordaduras, são boas práticas de proteção da cultura contra viroses.

A produtividade das raízes de batata-doce pode também ser bastante afetada pelas infestantes que se não forem controladas podem interferir com a cultura pela competição por água, luz e nutrientes, além de efeitos prejudiciais provocados por compostos alelopáticos libertados pelas raízes das plantas. Podem ainda dificultar a colheita e servir de hospedeiros alternativos ou de refúgio e de alimento a vetores de vírus. Na cultura da batata-doce a gestão de infestantes é habitualmente efetuada por métodos químicos e mecânicos. Na região do Oeste está bastante generalizada a cobertura do solo com filme de PVC, que ajuda também a aumentar a temperatura do solo.

Na Mesa redonda intitulada - Batata-doce no Rib1Evento final mesa redondaatejo e Oeste, moderada por José Grego da ESAS, participaram Fernando Costa da NativaLand, Jorge Correia da Monliz, Nuno Gomes da Zimbralcampo e Tiago Palma da Frutas Patrícia Pilar. De entre os temas discutidos destacam-se como principais conclusões que a cultura, na região Ribatejo e Oeste, teve maior incremento a partir de 2017, sendo presentemente uma alternativa com grande potencialidade, pois além das características edafoclimáticas da região serem favoráveis ao cultivo da batata-doce, é uma excelente cultura para entrar nas rotações, é rentável e tem ainda um grande potencial de escoamento, quer para o mercado interno quer para exportação e para consumo em fresco ou para indústria. A indústria, que absorve parte da produção do Ribatejo, após colheita das raízes transporta-as de imediato para Espanha e França, onde são transformadas.

A existência de viveiristas especializados na região, com grande diversidade de cultivares permite escolhas mais criteriosas para garantir boas produções e de qualidade. Estratégias de marketing dirigidas para o consumidor e para o mercado também são vistas como necessárias, nomeadamente sobre a qualidade nutricional das cultivares, que está relacionada com a cor da polpa, que pode ser branca, amarela, laranja ou roxa.

Apesar de ser uma cultura de recente introdução na região, começam a aparecer problemas fitossanitários com os quais o produtor deve estar alerta, tais como os vetores de vírus, sendo recomendável o uso de armadilhas para monitorização dos ataques. Outra praga que começa a aparecer com alguma preocupação é o alfinete que afeta as raízes, pelo que deverão ser feitas rotações com culturas que minimizem o risco de ataque destes insetos.

Foi também salientado que na região há falta de infraestruturas de armazenamento de raízes de batata-doce, pois este produto requer condições próprias, para que possa ser comercializado por um período mais longo, o que vai de encontro à procura crescente que a batata-doce tem sido alvo por parte do consumidor.

O futuro da cultura da batata-doce na região do Ribatejo e Oeste apresenta-se como muito promissor, o que foi reconhecido por todos os participantes, que representavam os diferentes intervenientes da fileira.