ENQUADRAMENTO

A apesar da reduzida dimensão do território Português, este possui uma grande variabilidade de raças das diferentes espécies pecuárias que, fazem parte integrante do património histórico e cultural do País, desempenhando também um importante papel na fixação das populações às diversas regiões, e na manifestações das distintas tradições sociais e culturais, bem como na conservação e equilíbrio do meio ambiente.

Embora a maioria das raças autóctones Portuguesas esteja oficialmente considerada em risco de extinção, representam um património genético animal de relevância indiscutível, tanto a nível nacional como internacional.

Em Portugal estão oficialmente reconhecidas 4 raças autóctones de galinhas: Preta Lusitânica, Amarela, Pedrês Portuguesa e Branca. Estas raças são caracterizadas pela sua riqueza genética, elevada rusticidade e invulgar beleza. As 4 raças autóctones existem em todo o País, mas em número reduzido (menos de duas mil fêmeas por raça criadas em linha pura), sendo, por isso, consideradas em risco de extinção.

Estas raças de galinhas são normalmente criadas em sistemas tradicionais de produção com os animais em liberdade, em capoeiras e/ou ao ar livre, alimentando-se de grão, erva, couves e outros produtos excedentários das explorações. Os animais podem escolher o que querem comer. São animais extremamente rústicos e de fácil criação.

Este tipo de produção avícola traz benefícios do ponto de vista da sustentabilidade social e ambiental. Exige reduzido consumo de água, e de medicamentos, e não causa problemas na emissão de efluentes, gases e odores, logo tem diminutos impactos ambientais. Desta forma, os agricultores têm ao seu dispor uma carne excelente e ovos de ótima qualidade, de carácter exclusivamente caseiro, a baixo custo de produção e com o melhor meio de prevenção dos impactos negativos no meio ambiente.

A redução do número de animais, não só galinhas mas das espécies pecuárias no seu geral, poderá levar ao abandono da atividade agrícola e à desertificação rural e, consequentemente a diversos problemas (de que os incêndios recentemente registados em Portugal são um exemplo).

Fatores como as alterações climáticas, aparecimento de doenças emergentes, alterações na procura do consumidor, têm impulsionado para o reaparecimento do sistema de produção tradicionais (amiga do ambiente), traduziram-se num importante incentivo para a conservação das raças autóctones e uma contribuição para a manutenção da biodiversidade genética, criação de novos nichos de mercado e dinamização para as economias locais.

O estado Português, mais concretamente o INIAV, em colaboração com a AMIBA (Associação de criadores de raças autóctones de âmbito nacional, que tem como objetivo a preservação, melhoramento, cria e comercialização deste tipo de animais) têm feito um esforço por conhecer mais e melhor estas raças de galinhas, de forma a contribuir para a conservação do património genético animal de Portugal. As raças autóctones de galinhas são determinantes para o equilíbrio dos ecossistemas, manutenção do meio rural, fomentando a biodiversidade e a conservação da paisagem rural Portuguesa.
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Fotos de João Almeida - INIAV, I.P.